Observatório do Melodrama Brasileiro no Streaming | Chamada Universal – CNPq/MCTI

O projeto “Observatório do Melodrama Brasileiro no Streaming e suas transformações” (Processo 421093/2025-0), coordenado pela professora Tatiana Siciliano (PPGCOM PUC-Rio) com coordenação adjunta da professora Bruna Aucar (PPGCOM PUC-Rio), é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por meio da Chamada CNPq/MCTI nº 44/2024 (Faixa A – Grupos Emergentes). A iniciativa articula uma rede interinstitucional e interestadual de pesquisadores vinculados ao laboratório Narrativas & Consumo da PUC-Rio (integrando os grupos NarFic e LACON) e ao grupo GELiDis (Linguagens e Discursos nos Meios de Comunicação), da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

O projeto tem como objetivo central cartografar, acompanhar e analisar de que forma o melodrama brasileiro vem sendo explorado, alterado e reconfigurado nos catálogos das principais plataformas de streaming acessadas no país: Netflix, Globoplay, Prime Video, HBO Max e Disney+. A pesquisa investiga as estratégias dos players globais ao se apropriarem desse formato tradicional, examinando em que medida as novas lógicas de mercado geram hibridizações, continuidades estéticas ou riscos de descaracterização e homogeneização narrativa.

De acordo com diagnósticos regulatórios da Agência Nacional do Cinema (Ancine/OCA), embora o mercado brasileiro de Vídeo por Demanda (VOD) apresente expansão com mais de 106 plataformas e cerca de 138 mil títulos disponíveis, a participação relativa de produções nacionais permanece modesta, representando apenas cerca de 5,3% do total de obras. Esse cenário de assimetria acentua-se ao analisar os catálogos dos serviços estrangeiros líderes em audiência, onde a presença de conteúdo brasileiro varia entre 1,3% e 3,1%, contrapondo-se ao Globoplay, único player nacional entre as maiores audiências, que concentra cerca de um terço de seu acervo em obras brasileiras.

Frente a essa fragmentação do ecossistema televisivo e à emergência da chamada televisão expandida ou “transtevê”, a cadeia produtiva nacional enfrenta transformações profundas em seus modelos de negócios, regimes de trabalho, rotinas criativas e políticas de direitos autorais. A pesquisa debruça-se sobre títulos paradigmáticos que atualizam o modelo do folhetim diário em formato de séries ou telenovelas fechadas no streaming — como Verdades Secretas 2 e Todas as Flores (Globoplay), Pedaço de Mim (Netflix) e Beleza Fatal (Max) —, analisando desde os mecanismos de recomendação algorítmica e temporalidades de lançamento até as tensões entre o apelo emocional clássico e os novos padrões estéticos digitais.

Metodologicamente, a investigação combina o monitoramento sistemático de catálogos e cobertura da mídia especializada com a aplicação da História Oral na realização de entrevistas em profundidade com profissionais do setor — incluindo roteiristas, diretores e produtores executivos responsáveis por conceber as obras. O intuito primordial é criar um acervo digital de memória e análise aberto a pesquisadores, estudantes e ao público geral, gerando subsídios críticos que auxiliem na compreensão das novas dinâmicas mercadológicas, na formulação de políticas públicas culturais e no fortalecimento da soberania audiovisual brasileira.