Resumo

Em Comunicação como cultura: ensaios sobre mídia, tecnologia e sociedade, a comunicação é observada como fenômeno além da mera transmissão de informação. O autor estadunidense James W. Carey ressalta a conexão entre as palavras “comunicação” e “comunidade” e amplia sua definição a fim de incluir o elemento de unidade de um povo: a cultura.

A partir de McLuhan e Harold Innis, suas duas grandes influências, o autor James W. Carey procura pensar a mídia como um elemento central na história ocidental, e não somente como acessório. A partir de uma perspectiva de comunicação como “ritual”, Carey observa um noticiário menos atento aos efeitos de transmissão e mais às formas pelas quais as visões de mundo são apresentadas e reforçadas.

Na concepção de Carey, pensar a tecnologia fora do domínio da história e dos contextos políticos e econômicos, é não compreender as possibilidades e limitações colocadas pela cultura das tecnologias. Carey, ainda em 2005, destacava o enfraquecimento dos Estados, a violência étnica e o retorno das religiões em formas fundamentalistas como consequências do fortalecimento da internet.

Num contexto de alastramento da desinformação, irrupção de discursos extremistas e cresceste manipulação dos usuários digitais, os escritos de Carey se mostram precisos. A percepção cultural de Carey, ainda pouco conhecida no Brasil, expande a questão comunicacional para novas vertentes, permitindo um maior entendimento da polarizada conjuntura atual.

Comunicação como cultura é a primeira tradução da pesquisa de James W. Carey para o português. O leitor encontrará um debate ampliado sobre os símbolos e significados transmitidos através das mensagens e sobre o caráter coletivo dos fenômenos comunicacionais.

Organizadores: 

Arthur Ituassu
Everardo Rocha
Tatiana Siciliano