Em coluna publicada na Folha de S.Paulo, o jornalista e crítico de TV Mauricio Stycer analisou como o melodrama mudou de status e passou a ser tratado como um recurso indispensável tanto nas telenovelas quanto nas produções seriadas contemporâneas do streaming.

Para discutir a centralidade do gênero e o apelo ao exagero, a matéria destaca o recém-lançado livro Autoria e Gênero na Telenovela Brasileira (Editora PUC-Rio), de autoria da professora Tatiana Siciliano (coordenadora do Narrativas & Consumo) e do pesquisador Francisco Malta. A coluna recupera depoimentos fundamentais reunidos na obra, nos quais grandes autores refletem sobre a força do melodrama e o diálogo entre folhetim e entretenimento: o autor Ricardo Linhares, que observa que a novela opera a partir do antirracinal e do exagero, e a roteirista Rosane Svartman, que aponta que as séries contemporâneas estão impregnadas de melodrama enquanto as novelas incorporam lógicas seriadas, vivenciando o auge dessa linguagem.

A reflexão ganha corpo a partir de dramas jurídicos e produções recentes citadas na análise, como as séries Pedaço de Mim e Habeas Corpus (Netflix), além de Beleza Fatal e Guerra (Max), demonstrando como o exagero narrativo e as disputas morais do melodrama tradicional continuam ditando o ritmo das plataformas digitais.